Curso de Medicina não será ampliado
Roberto LucenaO Governo Federal quer, nos próximos quatro anos, criar 11.447 vagas nos cursos de Medicina em instituições federais. Desse total, mais da metade – 6.887 – deverão ser abertas até o fim do próximo ano. A meta é um dos objetivos do polêmico “Programa Mais Médicos” instituído pelo Ministério da Saúde (MS). Natal não vai receber nenhuma dessas vagas.
De acordo com a coordenação do curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a possibilidade de expansão do curso na capital do Estado está descartada devido à falta de profissionais e estrutura física adequada que suporte a demanda. “Não podemos expandir e perder a qualidade de ensino”, enfatiza a professora Elaine Bezerra.
Não é a primeira vez que a possibilidade de mais estudantes ingressarem no curso de Medicina da UFRN não se viabiliza devido à falta de componentes que garantam o ensino e aprendizado. Em 2009, o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) autorizou a oferta de 120 vagas na UFRN, no entanto, o número ficou limitado a 100 vagas distribuídas nos dois semestres. “Tínhamos a autorização, mas não ofertamos mais que 100 vagas pois não contamos com condições estruturais. Só comportamos 50 alunos em cada turma”, explica o professor George Dantas, à época, coordenador do curso.
Aumentar o número de vagas nas instituições federais é objetivo dos ministérios da Educação e da Saúde para que o Brasil passe a contar, até 2020, com 2,5 médicos por mil habitantes. Atualmente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país conta com 1,8 médico para cada mil habitantes.
Para os professores, a simples abertura de novas vagas pode acarretar problemas de aprendizado. A inviabilidade esbarra em questões básicas como espaço físico para acomodar mais alunos e a falta de professores em sala de aula. Mas um curso complexo como o de Medicina apresenta outros componentes que devem ser analisados antes de se pensar em receber mais alunos. A rede de assistência à saúde do Município e Estado, onde são realizados os internatos, é um diferencial.
Apesar de possuir um hospital universitário e outras unidades que servem não apenas aos estudantes de Medicina, mas a todo corpo discente dos cursos da área biomédica, o contato com pacientes nos postos de saúde e hospitais é premissa de uma boa formação.
Outra questão apontada pelos professores revela um dado curioso. O número de professores na instituição não é pequeno. O corpo docente é constituído por aproximadamente 200 professores. Mas a maioria não tem o magistério como atividade principal. “Na verdade a maioria dos nossos professores não tem dedicação exclusiva. Muitos tem apenas carga horária de 20 horas. Isso é um complicador”, elenca Dantas.
Júnior Santos

Elaine Bezerra e George Dantas são da
coordenação do curso da UFRN
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