Criar peixes no bebedouro do gado melhora a qualidade da água?
Nesta
sexta-feira, dia 18, o médico veterinário Fernando Loureiro,
especialista em qualidade de água para bovinos, respondeu dúvidas de
diversos telespectadores pecuaristas e profissionais da pecuária: criar peixes nos reservatórios, pilhetas e bebedouros ajuda a limpar a água?
“O
principal fator que leva as pessoas a aconselharem outras as usarem
peixe é que o peixe vai exercer a limpeza do bebedouro ou do
reservatório de água, consumindo, comendo o lodo e comendo aquele
restante de farelo da ração e do proteinado que os bovinos trazem na
boca para dentro do bebedouro. Mas veja bem, os peixes não consomem toda
a alga, eles não consomem todo o lodo, eles não consomem as folhas de
pasto que os animais trazem na boca. Além disso, teria que ser um volume
de peixe muito grande para poder dar conta de toda aquela matéria
orgânica. E, obviamente, não não conta”, advertiu Loureiro.
O veterinário alegou que a limpeza do bebedouro não pode ser substituída ou postergada por conta da presença dos peixes – que muitas vezes acabam atrapalhando
a prática. “As fazendas que vão colocando peixes com estes objetivos
têm o interesse de intercalar, aumentar o período entre as lavagens do
bebedouro, só que acabam deixando de lavar porque o funcionário o pessoal não encontra como ou aonde alocar estes peixes no momento de esvaziar o bebedouro e fazer a limpeza.
Então o ideal é que não tenha peixe e que se exerça, sim, a limpeza,
aquela em que se esfrega parede, esfrega o fundo, remove toda a matéria
orgânica, as algas, o lodo, possível esterco dos animais, carcaças de
animais mortos”, sustentou.
O especialista contou a história de
uma visita que fez a uma propriedade em que nos animais não estavam
bebendo a água que deveriam. “Fomos convidados a visitar a fazenda
porque os animais não estavam bebendo água. Eles demonstravam interesse,
chegavam até o bebedouro mas não bebiam água. De chegada, já observamos
pequenos peixes flutuando na água. Os peixes haviam morrido (foto abaixo)
e não havia nem sido notado. Então o peixe morto, entrando em estado de
decomposição, em putrefação, altera muito o aroma, o cheiro dessa água e
também o sabor da água. Os animais deixam de beber. Eles voltarão a
beber essa água se não tiverem outra opção. Se passarem dias sem
encontrar outra fonte de água, eles beberão essa água, aumentando muito o
risco sanitário desses animais, que ficam expostos à transmissão de
doenças, sendo a principal delas o botulismo”, alertou. Fonte Giro do boi.