Em dez anos, Brasil perde um terço de seus orelhões
País tem 4 aparelhos para cada mil; novo plano pode reduzir para 1 por mil.
Especialistas criticam intenção e reclamam de aparelhos sem manutenção.

Isso significa que há 4,3 orelhões para cada mil habitantes, perto do mínimo exigido pelo último plano geral de metas para universalização (4 a cada mil), em vigor desde 2011 e válido até 2015.
O número de orelhões, no entanto, deve despencar ainda mais. Isso porque há uma pressão das teles para que a meta do próximo plano para o período 2016-2020 seja de apenas um aparelho para cada mil habitantes no país.
Orelhão pichado e fora de funcionamento na Vila
Mariana, em São Paulo (Foto: Thiago Reis/G1)
O plano de universalização é um conjunto de obrigações a que estão
sujeitas as concessionárias do serviço de telefonia fixa prestado em
regime público, que têm como objetivo dar a qualquer pessoa acesso ao
serviço de telecomunicações, independentemente da localização e da
condição socioeconômica.O edital do novo plano deve ser colocado em consulta pública no final de junho, de acordo com a Anatel. A agência diz que a quantidade (e a densidade) de orelhões, entretanto, ainda está em estudo.
Entidades de defesa do consumidor criticam a intenção de se reduzir os aparelhos. “Os orelhões são essenciais, principalmente para a camada da população que pouco acesso tem à telefonia fixa. O problema é que, como estão em péssimo estado, essa parcela acaba contratando planos de telefonia pré-paga, que são muito mais caros, para poder se comunicar”, afirma a coordenadora institucional do Proteste, Maria Inês Dolci. “O intrigante é que os orelhões foram pensados para trazer qualidade para o serviço público. Ao reduzir o número de aparelhos, essa responsabilidade das empresas, que deviam estar cuidando, mantendo-os ativos e repondo os quebrados, é retirada.”
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